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CELSO DE ALENCAR
( BRASIL - CEARÁ )
Nasceu em Fortaleza (CEARÁ - Brasil). Reside em São Paulo desde 1972. Criado no Pará, nas cidades de Abaetetuba e Belém.
Como poeta, surgiu nos anos 1970. É autor de Salve salve, Arco vermelho, O primeiro inferno e outros poemas, 0 pastor (infantojuvenil), Os reis de Abaeté, Sete (com 25 xilogravuras de Valdir Rocha), Poemas perversos, Testamentos, O coração dos outros e dos CDs A outra metade do coração, Desnudo e Um homem cantava para Cachorros.
CONSTELAÇÃO HAROLDO DE CAMPOS - Antologia celebração. Organização Claudio Daniel. Porto Alegre: 2025. S. p. 13 580 Exemplar da bilblioteca de Salomão Souza.
PURGATÓRIO
Esta é a nova casa
que a mim foi dada.
Como cultivar papoulas
e delas me alimentar?
Sei do ópio e do chá de suas folhas.
Mas como plantar em terras
onde vento não há?
Sei de florestas,
cardumes, manadas,
metalúrgicas, lojas de tecidos
e lojas de sapatos.
Sei, porque as minhas mãos
e as minhas unhas
cresceram mais que
as dos meus irmãos.
Olhe os meus dedos, Senhor!
Observe como são finos.
Escute as batidas do meu coração.
Meça minhas coxas,
meus braços e meu tórax.
Se preciso, meça a minha língua.
Nesta terra que me foi dada
Como cultivar o meu alimento?
Observe os meus olhos
e veja se neles há crime.
Por que não me foram dadas
terras com sombra e
goteiras de árvores frondosas.
Se preciso, meça a minha língua.
Nesta terra que me foi dada
como cultivar o meu alimento?
Observe os meus olhos
e veja se neles há crime.
Por que não me foram dadas
terras com sombras e
goteiras de árvores frondosas.
Ouça o violino que se aproxima
e o pano que vem atrás.
Ouça as palavras que falam ao longe
e as minhas pernas que se reencontram.
Deixe que eu cante
o hino dos pássaro
e eu cantarei com uma
só língua e uma só garganta.
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Página publicada em abril de 2026.
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